Fim das trevas

A ciência voltou a ser importante no Brasil, comemora a pesquisadora Helena Nader.
A cientista defende um pacto entre governo, empresários e universidades para elevar o nível da pesquisa no País – Imagem: Cristina Lacerda e Luara Baggi/MCTI

Presidente da Academia Brasileira de Ciência, Helena Nader faz um balanço positivo do primeiro ano de governo Lula. A cientista e professora afirma, porém, que a recomposição dos investimentos nos últimos 12 meses é insuficiente e sugere maior entre os poderes da República, o setor privado e a comunidade científica. O objetivo? Equiparar o Brasil às nações desenvolvidas na busca por soluções tecnológicas avançadas Prestes a ser anfitriã do encontro do S-20, grupo que reúne as academias de ciências dos países do G-20, Nader fala do papel do brasileiro na comunidade científica internacional e das nossas potencialidades.

Em 2022, a produção científica brasileira caiu. Após quatro anos de desmonte, era um resultado esperado?
Helena Nader: É o efeito daquilo que experimentamos nos últimos anos. Consequência não só da falta de investimento, mas do bombardeio à ciência e da falta de postura ética em relação aos jovens que gostam de ciência e viriam para essa área. A descrença, as fake news, tudo em conjunto levou a essa queda, a maior entre todos os países avaliados e só equiparada àquela da Ucrânia, que está em guerra.

Qual o balanço do primeiro ano do governo Lula?
HN: Poderia ter feito mais, sim. Mas o fato de a comunidade científica ter com quem dialogar de uma forma mais transparente e a valorização do jovem com a correção das bolsas são um sinal de que a ciência é novamente importante para o Brasil. As diversas bolsas estavam sem aumento há mais de dez anos e houve essa correção logo no início do governo, mas é preciso mais. É preciso ter o entendimento de que para esses cientistas a bolsa é um salário profissional, não um auxílio como o Bolsa Família. São formados que estão se qualificando para produzir mais ciência, tecnologia e inovação.

“Não temos mais tempo para pensar no que queremos ser quando crescer. Não somos mais um país jovem”.

A recomposição do FNDCT e a execução orçamentária da Finep, estimada em 10 bilhões de reais, surtiram efeito?
HN: Na reunião do conselho do FNDCT deste mês ficou evidente que o governo conseguiu empenhar 100% dos recursos, e essa recuperação integral é uma vitória. Mas podemos melhorar. O comitê de coordenação do fundo e o MCTI levaram à equipe econômica do governo a proposta para a repartição de 35% para investimentos reembolsáveis e 65% para não reembolsáveis, mas não foi possível estabelecer essa divisão. É uma luta que continuará em 2024, pois ciência não é gasto, é investimento. É isso que as nações desenvolvidas praticam cada vez mais. Temos, hoje, um fundo como nunca tivemos antes, ele está descontingenciado, mas ainda é pouco se o Brasil quer de fato ser líder e estar entre os países que jogam bola no G-7. Estes investem pesado em ciência, tecnologia, inovação e educação.

Como travar essa discussão na sociedade?
HN:
Em 2024, acontecerá a V Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Também é extremamente importante a retomada do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia. Ele é presidido pelo presidente da República, mas deixou de existir durante o desgoverno de Bolsonaro, que jamais reuniu o colegiado. Precisa haver essa reunião para que possamos levar nossas pautas como sociedade civil. Na conferência, temos de aproveitar o momento em que existe um diálogo importante entre a ciência, a sociedade civil e o empresariado. Não são todos os empresários que querem investir em ciência, mas aqueles que querem dialogam conosco.

O Brasil tem vantagem comparativa no setor de energia – Imagem: iStockphoto

De que forma o setor de ciência e tecnologia pode contribuir para a “neoindustrialização”?
HN: Não gosto do prefixo “neo”, mas sou favorável ao projeto. E o Brasil precisa entender que não existe um país que primeiro se industrializou para só depois investir em ciência ou cuidar da educação. Há a necessidade de se determinarem áreas, é preciso ver onde estão as maiores capacidades e onde dá para competir no mundo globalizado. Segurança alimentar e segurança hídrica, por exemplo, são duas áreas nas quais o Brasil é fronteira, mas é preciso investir, porque os outros países estão investindo. Sem ciência, o agronegócio brasileiro não vai andar para a frente porque o mundo estará de olho para saber se a gente desmatou para gerar aquele alimento ou qual quantidade de água usamos para aquela irrigação.

O governo fala em transição ecológica. A ciência brasileira está apta a responder às novas necessidades ambientais?
HN: O Brasil foi o primeiro país a ter uma fonte de energia renovável usada como combustível. Desenvolvemos, na fase de indústria, o álcool de segunda geração, assim como as fazendas solares e a energia eólica. Temos muitas coisas que valem a pena e devem continuar. Quantos ônibus e caminhões movidos com energias renováveis o Brasil tem? Toda vez que chego em São Paulo e vejo aquele pretume a sair dos canos de descarga, me pergunto onde está a tecnologia. Não adianta falar em bioeconomia sem olhar o ambiente e a comunidade no entorno. O Brasil é vanguarda, mas parece que, às vezes, se esquece disso. Assusta ver que entre as dez maiores empresas do Brasil está a Ambev, cinco ou seis bancos e algumas empresas do setor de saúde. Onde está a ciência? Chegamos a ter 34% do PIB dependente da indústria, e hoje é 11%. Não temos mais tempo para pensar no que queremos ser quando crescer. Não somos mais um país jovem. A população está envelhecendo e vai precisar de soluções, e os jovens têm de estar conectados ao século XXI, a educação tem de ser atual. Como a nossa sociedade estará daqui a dez anos?

Em 2023, o Brasil voltou a figurar entre as 50 economias mais inovadoras. O que contribuiu para o resultado?
HN: Em primeiro lugar, o trabalho de coletar dados, coisa que o Brasil não fazia da maneira correta, e um esforço por parte da Indústria de dialogar e entender como se faz o Global Innovation Index. O Brasil continua a ser reprovado pela d­­ificuldade de abrir ou fechar negócios e pela dificuldade de relação entre a universidade e a empresa. Embora tenhamos a Emenda Constitucional 85 e a Lei 13.243, nós na universidade somos reféns da interpretação de procuradores, o que impede que essa parceria vá em frente. Tudo isso influencia no ranking. Ou o País junta os três poderes para dizer “isso é relevante e nós vamos fazer” ou vai andar para trás.

“Os três poderes são relevantes se quisermos ter de fato uma ciência e uma economia pujantes”

As coisas não dependem só do Executivo.
HN: Temos de olhar também o Legislativo. Poderíamos estar com muito mais recursos se a Câmara não tivesse voltado as costas à ciência. Todos os ministérios que têm envolvimento com o tema estariam fora do chamado teto de gastos, isso foi aprovado no Senado, mas a Câmara derrubou, votou contra o próprio País. Foi triste, porque é muito pouco recurso, mas para a área teria um impacto muito grande. Os três poderes são relevantes se quisermos ter de fato uma ciência e uma economia pujantes. O Judiciário tem de seguir o que está escrito na lei, não pode haver uma interpretação para A e outra interpretação para B, é preciso regulamentação. E também um arcabouço de diálogo entre todas as unidades da federação.

O Brasil tem recuperado sua imagem em diversas frentes internacionais. Isso também aconteceu no mundo científico? Qual a avaliação sobre a participação brasileira na Cúpula do S-20 na Índia?
HN: Apesar de tudo que aconteceu nos últimos quatro anos, a comunidade acadêmico-científica continuou a acreditar na ciência brasileira. O S-20 não é um movimento de Estado, e é muito importante que esteja no fluxo da sociedade civil para que não se limite a discussão. Sem ouvir a sociedade civil fica difícil tomar rumos. Uma coisa é escrever um belo documento e outra é ele ser abraçado. O Brasil será sede do S-20 em 2024 e teremos eixos de discussão que vão do combate à pobreza à inteligência artificial. Vamos enviar aos países que integram o grupo textos com tudo aquilo que foi discutido nos grupos de trabalho temáticos da ABC. A ideia é que cada país faça um brainstorm em sua academia de ciências para que possamos chegar a um bom texto final.

A agricultura também precisa de ciência e tecnologia – Imagem: Rodolfo Perdigão/GOVMT

Energia está na agenda?
HN: Discutiremos quais os modelos de transição energética e como atingi-los, guardadas as diferenças entre os países. Na COP-28, o Brasil mostrou que quer fazer a defesa da floresta, que significa energia sustentável, mas também entrou para a Opep+. Não acho que o governo esteja errado, pois a transição, como o nome diz, não se resolve hoje, é algo que está em curso. Algumas coisas a gente pode fazer mais rápido, outras nem tanto, mas em nenhuma hipótese se deve esquecer da ciência. Se o Brasil for de fato explorar petróleo na Margem Equatorial, tem de olhar o que a ciência diz e quais os modelos a serem adotados. A ciência tem como ajudar.

Os cientistas estão entre os profissionais que gozam de maior credibilidade no País. Isso a surpreende?
HN: Fico lisonjeada. Estamos no caminho certo ao mostrar para a sociedade o valor da ciência. Agora temos de convencer uma parte da sociedade, pequena, mas que decide os investimentos. Para esses que colocaram a ciência como extremamente relevante, agradeço de verdade, mas digo também que prestem atenção quando forem votar para vereador, ­deputado e senador. Ao votar, veja bem se o que o seu candidato vai fazer é o que você quer para o Brasil. Eles vão decidir se a ciência vai ser importante para o desenvolvimento social sustentável do País.

Brasil sobe duas posições e é a 9ª economia do mundo, diz FMI

FMI calculou PIB nominal do país em US$ 2,13 trilhões em 2023; Estados Unidos, China e Alemanha seguem liderando o ranking

Com uma projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 3,1% em 2023, o Brasil subirá duas posições e ficará em 9º lugar no ranking de maiores economias do mundo FMI (Fundo Monetário Internacional).

O Fundo projeta que o PIB nominal do Brasil fechará 2023 em US$ 2,13 trilhões, ultrapassando por pouco o Canadá (US$ 2,12 trilhões). Em 2022, o Brasil estava em 11º lugar. Segundo o FMI, até 2026, o país pode subir para a 8ª posição, com um PIB estimado em US$ 2,476 trilhões.

Os dados são do relatório mais recentesdo World Economic Outlook (Perspectiva Econômica Mundial, na tradução), divulgado em outubro. Eis a íntegra do documento (PDF – 10 MB).

As projeções indicavam que a economia brasileira teria um crescimento de 3,1% em 2023, o que representa um aumento de 1 ponto percentual em relação às estimativas feitas em julho deste ano.

Em 2024, a previsão de crescimento é de 1,5%, ficando abaixo da estimativa da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que projeta uma expansão de 1,8% para a economia brasileira no mesmo ano. Por outro lado, o Ministério da Fazenda estima um crescimento de 2,2%.

De acordo com o FMI, os Estados Unidos, a China e a Alemanha mantiveram suas posições como as maiores economias globais neste ano. Os PIBs estimados de 2023 foram de US$ 26,95 trilhões, US$ 17,7 trilhões e US$ 4,43 trilhões respectivamente.

Este ano, o órgão prevê uma desaceleração na economia mundial, com um crescimento de 3% em comparação com 3,5% em 2022. Para 2024, a estimativa do FMI é um crescimento global de 2,9%.

Confira o ranking das 20 maiores economias do mundo em 2023, segundo projeção do FMI:

Em seu perfil no X, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comemorou o resultado. “Vocês não sabem o trabalho que dá para ter tanta sorte…”, escreveu.

Morre Ennio Candotti, fundador do Museu da Amazônia 

A ICTP.br lamenta profundamente o falecimento de um gigante, o físico e professor Ennio Candotti. Ennio foi presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), por quatro mandatos. Atualmente, era diretor do Museu da Amazônia (Musa), instituição que fundou. 

O professor Ennio Candotti era um entusiasta da Ciência e, por seu trabalho de popularização do setor, foi homenageado com o prêmio Kalinga, pela Unesco. Trata-se do prêmio mais antigo da Unesco, datando de 1951, para pessoas ou entidades que, pelas contribuições significativas na popularização científica, “contribuíram para reduzir a distância entre a ciência e a sociedade”.

Nossos sentimentos a todos os familiares e amigos!

Um marco na história: 75 anos da Declaração dos Direitos Humanos

A Declaração dos Direitos Humanos é um marco na história e neste ano completa 75 anos. A Declaração foi proclamada pela Assembleia Geral das Nações

A Declaração dos Direitos Humanos é um marco na história e neste ano completa 75 anos. A Declaração foi proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em Paris, em 10 de dezembro de 1948. Representantes de diferentes origens jurídicas e culturais de todas as regiões do mundo participaram da elaboração do documento que estabeleceu pela primeira vez na história a proteção universal dos direitos humanos. O documento estabelece os direitos e liberdades fundamentais de todos os seres humanos, independentemente de raça, sexo, religião, nacionalidade ou qualquer outra condição.

No programa Diálogos na USP, em 8/12, às 11h, Marcello Rollemberg e Luiz Roberto Serrano conversam com Paulo Sérgio Pinheiro, pesquisador do Núcleo de Estados da Violência (NEV), professor titular do Departamento de Ciência Política (aposentado) da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, ambos da Universidade de São Paulo, e preside, desde 2011, a Comissão Independente Internacional da Organização das Nações Unidas (ONU) de investigação sobre a República Árabe da Síria, em Genebra.

MEC comemora 15 anos de Institutos Federais no país

Para marcar a data, foi criado o projeto multimídia ‘Institutos Federais, a cara do Brasil’, com relatos de pessoas que integraram essa história

Os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs) completam, neste mês, 15 anos de atividades no país. Criados em 29 de dezembro de 2008, pelo então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, os IFs atuam em ensino, pesquisa e extensão.

Para celebrar este trabalho, o Ministério da Educação (MEC) realizou, nesta segunda-feira (4/12), uma cerimônia no auditório do Museu Nacional da República. Durante o evento, ainda aconteceu a exibição do documentário “Institutos Federais, a cara do Brasil”, para estrear a exposição fotográfica que leva o mesmo nome. E também foi lançado um selo postal personalizado dos Correios.

Projeto

Para marcar os 15 anos, o MEC, por meio da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec), desenvolveu o projeto multimídia “Institutos Federais, a cara do Brasil”. Nesta iniciativa, foram selecionadas 15 pessoas do país. Entre elas, professores, técnicos, estudantes e egressos dos IFs, convidadas a contar suas trajetórias e vivências nos Institutos Federais.

Essa interação resultou no documentário e na exposição de fotos, que narram a atuação dessas pessoas nos IFs, além de destacarem a relevância educativo-social dos Institutos para as regiões onde estão inseridos.

História

Em 1909, foram criadas 19 escolas de Aprendizes e Artífices, ligadas à Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. E em 2008, foram criados os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, no atual modelo.

No Brasil

Atualmente, os Institutos Federais (IFs) contam com 600 campi, em todas as regiões do país.
Os institutos oferecem cursos de qualificação profissional, técnicos, graduação e pós-graduação, atingindo mais de 1 milhão de jovens e adultos.
Mais informações sobre os IFs.

ENTIDADES CIENTÍFICAS DEFENDEM QUE C&T FIQUE FORA DOS LIMITES DO NOVO ARCABOUÇO FISCAL

As entidades que compõe a Iniciativa para Ciência e Tecnologia no Parlamento Brasileiro (ICTP.br) se unem para reivindicar que a área fique fora do limite de gastos instituído pelo Novo Arcabouço Fiscal (NAF), proposto pelo governo federal.

As nove organizações científicas, dentre as quais estão a Academia Brasileira de Ciências (ABC), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a associação nacional de reitores (Andifes), encaminharam carta nesta terça-feira, 4 de julho, ao relator do Projeto de Lei do novo arcabouço fiscal na Câmara Federal. No documento, a ICTP.br pede ao deputado Claudio Cajado (PP-BA) “que seja mantido o texto que veio do Senado Federal, que exclui a Ciência, Tecnologia e Inovação das restrições do Novo Arcabouço Fiscal – NAF”.

O documento foca no valor de R$ 3,2 bilhões para C,T&I, cuja exclusão do teto foi aprovada pelo Senado Federal. “Agora estamos na dependência da Câmara seguir o Senado”, observa o economista Fábio Guedes Gomes, secretário executivo da ICTP.br. “Por isso, apelamos ao deputado Claudio Cajado para que, em seu relatório, contemple a decisão dos senadores”.

“O impacto fiscal será quase irrelevante e o orçamento do governo federal à C,T&I ainda é muito pequeno para que essas áreas, pela importância estratégica que possuem, sofram ainda mais restrições”, diz o documento ao lembrar que “desde 2015 tem sido sistemático o contingenciamento e corte nesses valores, em especial no último governo”.

Nas contas feitas pela ICTP.br, os R$ 3,2 bilhões representam apenas 0,06% do orçamento do governo federal para este ano, que é de R$ 5,3 trilhões, e equivalem a 0,03% do PIB brasileiro registrado em 2022. O documento aponta que, “para efeito de comparação, em 2020 os investimentos governamentais em C,T&I como proporção do PIB alcançaram 0,73% na França, 0,93% na Alemanha, 0,51% em Israel, 1% na Coréia do Sul, 0,60% em Portugal, 0,57% na Inglaterra e 0,74% nos EUA”.

Na avaliação de Gomes, “o Brasil, que já está defasado em relação a vários países, se tornará ainda mais distante deles se o orçamento de C,T&I não for excluído do teto de gastos”. diz.

Renato Janine Ribeiro é reeleito presidente da SBPC e Diretoria mantém maioria feminina

SBPC divulga resultados das eleições para Diretoria, parte do Conselho e Secretarias Regionais. Processo se encerrou nessa segunda-feira, 19 de junho, após 3 semanas de votações online

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) acaba de anunciar o resultado das eleições de 2023, e o filósofo, professor titular da USP e ex-ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, foi reeleito para a Presidência da instituição. Ao conduzir a entidade em um período crucial para o avanço científico no país, o presidente da SBPC conquistou a confiança dos sócios com 1.889 votos para mais um mandato de dois anos, que se estenderá de julho de 2023 a julho de 2025.

Ao lado de Janine Ribeiro, Francilene Procópio Garcia, professora e pesquisadora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), e Paulo Artaxo, professor titular do Instituto de Física da USP, foram eleitos vice-presidentes. Garcia passa da Secretaria da entidade à Vice-Presidência, tendo recebido 1.533 votos. Com 1.238 votos, por sua vez, Artaxo será reconduzido ao cargo que ocupa desde 2021.

A participação dos sócios da SBPC foi destaque destas eleições, com um índice de envolvimento de mais de 63%, superando o processo eleitoral anterior. A votação para a renovação da Diretoria, parte do Conselho e Secretarias Regionais contou com uma ampla adesão, refletindo o interesse crescente dos sócios em contribuir para o desenvolvimento da ciência no País.

Para a Diretoria, 1.994 sócios votaram (65,38% dos 3.050 aptos a votar). Já para o Conselho, 1.899 sócios participaram (62,26% dos 3.050 aptos) e para as Secretarias Regionais, foram 1.879 sócios votantes (63,80% dos 2945 aptos a votar).

Uma conquista notável da SBPC é a manutenção da composição majoritariamente feminina de sua Diretoria. Sete mulheres cientistas foram eleitas para cargos-chave, destacando a importância da representatividade no campo científico.

Além de Francilene Procópio Garcia, Claudia Linhares Sales, professora titular da Universidade Federal do Ceará (UFC), foi reeleita secretária-geral com 1.861 votos, consolidando seu papel fundamental na gestão da SBPC. As três vagas da Secretaria foram preenchidas por Marilene Corrêa da Silva Freitas, professora titular da Universidade Federal do Amazonas (1.597 votos), que chega pela primeira vez ao quadro de diretores da entidade, Fernanda Sobral, professora emérita da Universidade de Brasília (UnB), que deixa o cargo de vice-presidente da SBPC após duas gestões (1.425 votos), e Laila Salmen Espíndola, professora da UnB (1.320 votos), que foi reeleita.

As duas vagas de Tesoureiros foram mantidas por Marimélia Porcionatto, professora e vice-diretora da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (1.823), e Ana Tereza de Vasconcelos, pesquisadora do Laboratório Nacional de Computação Científica (1.824).

A Comissão Eleitoral, presidida por Anderson Gomes, ressaltou a transparência e a segurança do novo sistema de votação utilizado nas eleições. Segundo Gomes, graças à versão do Helios Voting, cedida pela Universidade de São Paulo (USP), foi possível garantir a integridade dos votos por meio de criptografia e realizar a apuração eletrônica de forma precisa e confiável. “O sistema é amplamente utilizado por grandes organizações, incluindo sociedades científicas e profissionais, além de inúmeras Instituições de Ensino Superior, e é dotado de um mecanismo altamente seguro de computação e apuração eletrônicas dos votos”, disse.

Gomes também ressaltou o engajamento dos sócios, que demonstraram o interesse e a preocupação com o futuro da SBPC e do desenvolvimento científico do País, especialmente nesse momento de reconstrução. “O sistema possibilitou observar que cerca de 65% dos sócios votaram para a Diretoria, 62% para o Conselho e 63% para as Secretarias Regionais. Isso mostra que os sócios continuarão atentos e esperam que a SBPC dê continuidade ao trabalho desenvolvido.”

O processo de votação teve início em 29 de maio e contou com a participação dos sócios ativos votantes, ou seja, aqueles que estavam em dia com a anuidade referente a 2023 e/ou 2022 até o dia 24 de maio. A votação se encerrou nessa segunda-feira, 19 de junho e a apuração dos votos ocorreu na manhã desta terça-feira, 20.

Conselho e Secretarias Regionais

Além da eleição da Diretoria, a SBPC também realizou eleições para renovação de parte do Conselho e das Secretarias Regionais. O processo seguiu as diretrizes estatutárias, com candidaturas regionais em diferentes áreas do País. Diversos candidatos concorreram em cada região, e os eleitos reforçarão a representatividade e o compromisso da SBPC em promover a ciência em todo o território brasileiro.

Para os estados que compreendem a área A (Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins), em que havia uma vaga em disputa, foi eleito José Luiz de Souza Pio.

Nos estados da área B (Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe), dois candidatos concorreram a duas vagas. Os eleitos foram Rosângela Janja Costa Araújo e Armênio Aguiar dos Santos.

Nos estados da área C, que compreende o Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso, três candidatos concorreram a três vagas. Os eleitos foram Nilma Lino Gomes, Ronaldo Pilati e Marcos Assunção Pimenta.

Na área D, que engloba os estados Espirito Santo e Rio de Janeiro, oito candidatos concorreram a quatro vagas. Os eleitos foram Luiz Davidovich, Ligia Bahia, Eliane Volchan e Cristina Engel de Alvarez.

Em São Paulo, região da área E, sete candidatos concorreram a 4 vagas. Os eleitos foram Soraya Smaili, Glaucius Oliva, Angela Kaysel Cruz e Marie Anne Van Sluys.

Para a última região, a área F (Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), três candidatos concorreram a uma vaga. O eleito foi André de Ávila Ramos.

Além dos candidatos acima eleitos, comporão o Conselho, como representantes das Sociedades Científicas Afiliadas, com mandato de julho de 2023 a julho de 2025: Humanas: Geovana Mendonça Lunardi Mendes e Marluce Evangelista Carvalho Zacariotti (suplente), Biológicas e da Vida: Eduardo Colombari e Fernando Rosado Spilki (suplente), e Exatas e Tecnológicas: Denise Maria Zezell e Eliana Silva de Almeida (suplente).

Secretarias Regionais

Foram eleitos candidatos para as 22 Secretarias Regionais. São eles:

Alagoas

Secretário Regional: Vandick da Silva Batista (UFAL)

Amazonas

Secretária Regional: Fernanda de Pinho Werneck (INPA)

Secretária Regional Adjunta: Patrícia Melchionna Albuquerque (UEA)

Bahia

Secretária Regional: Tânia Hetkowski (UNEB)

Secretária Regional Adjunta: Salete de Fátima Noro Cordeiro (UFBA)

Ceará

Secretário Regional: Cleanto Rogério Rego Fernandes (IFCE)

Secretário Regional Adjunto: Lindberg Lima Gonçalves (UFC)

Distrito Federal

Secretário Regional: Gilberto Lacerda dos Santos (UnB)

Secretário Regional Adjunto: Luciano Rezende Moreira (IFB Campus Planaltina)

Goiás

Secretária Regional: Vanessa Gisele Pasqualotto Severino (UFG)

Secretária Regional Adjunta: Márcia Cristina Hizim Pelá (UNIFAN)

Maranhão

Secretária Regional: Ivone Lopes Lima (UFMA)

Secretária Regional Adjunta: Flávia Rebelo Mochel (UFMA)

Mato Grosso do Sul

Secretário Regional: Diogo Borges Provete (UFMS)

Secretário Regional Adjunto: Ivo Leite Filho (UFMS)

Minas Gerais

Secretária Regional: Cristiana Ferreira Alves de Brito (Fiocruz)

Secretário Regional Adjunto: Pedro Luiz Teixeira de Camargo (IFMG)

Pará

Secretária Regional: Rosa Carmina de Sena Couto (UFPA)

Secretário Regional Adjunto: José Guilherme Carvalho da Silva (FASE)

Paraíba

Secretário Regional: Diogo Lopes de Oliveira (UFCG)

Paraná

Secretário Regional: Marcos Cesar Danhoni Neves (UEM/Maringá)

Secretário Regional Adjunto: Hugo Valadares Siqueira (UTFPR)

Pernambuco

Secretário Regional: José Thadeu Pinheiro (UFPE)

Secretário Regional Adjunto: Ascendino Flávio Dias e Silva (UFPE)

Piauí

Secretária Regional: Rute Maria Gonçalves de Andrade (FMHA)

Secretária Regional Adjunta: Olívia Cristina Perez (UFPI)

Rio de Janeiro

Secretária Regional: Marta Feijó Barroso (UFRJ)

Secretário Regional Adjunto: Thiago Signorini Gonçalves (Observatório do Valongo)

Rio Grande do Norte

Secretária Regional: Lucymara Fassarella Agnez Lima (UFRN)

Secretário Regional Adjunto: Daniel Chaves de Lima (IFRN)

Rio Grande do Sul

Secretária Regional: Marcia Maria Auxiliadora Naschenveng Pinheiro Margis (UFRGS)

Secretária Regional Adjunta: Angela Terezinha de Souza Wyse (UFRGS)

Rondônia

Secretário Regional: Estevão Rafael Fernandes (UNIR)

Secretária Regional Adjunta: Dany Roberta Marques Caldeira (IFRO)

Santa Catarina

Secretária Regional: Maria Elisa Máximo (Pesquisadora Associada do GrupCiber/UFSC)

São Paulo – SP I

Secretária Regional: Giselle Zenker Justo (UNIFESP)

Secretária Regional Adjunta: Marcela Sorelli Carneiro Ramos (UFABC)

São Paulo – SP II

Secretário Regional: Rodolfo Jardim de Azevedo (UNICAMP)

São Paulo – SP III

Secretária Regional: Mirlene Fátima Simões (Unesp/FCLAr)

A SBPC continua sua trajetória de liderança e compromisso com o avanço científico do país, e os resultados das eleições de 2023 confirmam a solidez e a representatividade da instituição. Confira neste link o relatório de apuração.

Os eleitos serão empossados no dia 27 de julho, na Assembleia Geral Ordinária dos Sócios, que será realizada durante a 75ª Reunião Anual da SBPC, na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba.

Jornal da Ciência

(Des)Governo Bolsonaro corta bolsas e compromete a formação de jovens profissionais e estudantes de pós-graduação

À medida que se aproxima o fim do (des)governo Bolsonaro, as surpresas desagradáveis não param de surgir, comprometendo uma série de políticas públicas estratégicas e essenciais para o país.

Ontem, a sociedade brasileira foi informada que o Ministério da Educação não conta com recursos orçamentários para honrar compromissos com vários programas importantes, como, por exemplo, o pagamento de 14 mil bolsas para jovens médicos residentes que realizam estágios em centenas de unidades hospitalares distribuídas por todo território nacional.

Veja aqui a nota emitida pelas entidades.

Artigo na Folha de S. Paulo: Da ciência básica ao desenvolvimento tecnológico

Esta coluna foi escrita para a campanha #ciêncianaseleições, que celebra o Mês da Ciência. Em julho, colunistas cedem seus espaços para refletir sobre o papel da ciência na reconstrução do Brasil. Quem escreve é Fábio Guedes Gomes, diretorpresidente da Fapeal (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas) e secretário executivo da Iniciativa para a Ciência e Tecnologia no Parlamento Brasileiro.

Os países que alcançaram a maturidade no desenvolvimento econômico e se firmaram no grupo hegemônico de poder internacional no século 20 não fizeram esse caminho sem um longo período de investimento em conhecimento científico. É responsabilidade da ciência desafiar a si mesma, compreendendo os fenômenos que cercam a sociedade e a natureza. Dessa forma uma nação consegue superar grandes dilemas ou problemas, se mostrando mais preparada diante de seus concorrentes no plano da competição intercapitalista.

Sem investimentos em ciência básica um país não conta com os conhecimentos que possibilitem a superação de desafios impostos pela dinâmica da natureza, da sociedade e da economia. Nesse sentido, ficam visíveis os desdobramentos que o desenvolvimento da ciência básica promove sobre as possibilidades de progresso das ciências aplicadas e avanços tecnológicos. O desenvolvimento econômico e o domínio tecnológico da Alemanha, por exemplo, têm relação direta com o conhecimento acumulado em setores como química, engenharia de motores, componentes elétricos e processos.

Os sucessivos contingenciamentos orçamentários e cortes financeiros da ciência brasileira, a partir de 2015, além de afetar a produção do conhecimento nacional e desmantelar sua estrutura – universidades e centros de pesquisa –, prejudicam o desenvolvimento tecnológico e empresarial, contribuindo com a baixa produtividade do país. A recente tentativa do governo federal em remanejar os recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico interromperia programas públicos promissores de fomento à criação de empresas de base tecnológica e inovação industrial, como o Centelha, o Tecnova e os projetos da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial. Esses programas e estratégias têm o potencial de alimentar a cultura do empreendedorismo tecnológico e conectar o conhecimento técnico-científico produzido nas instituições universitárias e centros de pesquisa e desenvolvimento aos problemas de empresas e mercados.

Duas áreas, entre outras, se beneficiaram do alinhamento entre ciência básica e progresso tecnológica no Brasil: saúde e agricultura tropical. Na década de 1970, os estudos sobre a fixação biológica de nitrogênio, liderados pela pesquisadora Johanna Döbereiner na Embrapa, revolucionaram a produção agrícola brasileira. Nos anos 1990, a produção de insulina humana injetável a partir da insulina de porco, pela empresa Biobrás e com o apoio de bioquímicos da UFMG, coordenados pelos pesquisadores Marcos Luiz dos Mares Guia e Lewis Greens, revolucionou o tratamento da diabetes. Na mesma década, realizou-se pela primeira vez o sequenciamento genético da bactéria Xylella fastidiosa, causadora de uma temida praga nos laranjais, dentro do Projeto Genoma-Fapesp, abrindo largas possibilidades à área de biologia molecular.

Exemplos como esses, associando grandes desafios, ciência, tecnologia e inovação, apontam para a importância e a necessidade de contarmos com a sensibilidade de lideranças políticas, gestores públicos e parlamentares na defesa dos investimentos na ciência do país e em sua infraestrutura de pesquisa.

Fonte: Folha de S. Paulo

C,T&I precisam estar mais presentes no Parlamento, afirmam debatedores na SBPC

Reconstruir pontes, participar do processo de tomada de decisão e levar a política para as universidades e instituições de ciência e tecnologia. Esses foram alguns dos encaminhamentos ao final do painel “C,T&I no parlamento” realizado nesta quarta-feira (27) na 74ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que acontece em Brasília. Entre as discussões acerca da atual política nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (C,T&I), os painelistas apresentaram propostas para reverter o quadro de baixa atenção do governo federal ao setor.

Para o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) e secretário-executivo da Iniciativa para a Ciência e Tecnologia no Parlamento Brasileiro (ICTP.Br), Fábio Guedes Gomes, o futuro da C,T&I está diretamente ligado às eleições de outubro. “É necessário que a gente eleja aqueles que têm compromisso com a ciência e a tecnologia, além de estreitarmos o relacionamento com os bons parlamentares tanto no Senado como na Câmara dos Deputados”, disse Guedes, que coordenou o painel e apresentou análises sobre o tema tratado.

De acordo com o presidente da Associação Nacional dos Docentes das Instituições Federais (Andifes) e reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Marcus Vinicius David, também integrante do painel, as eleições são uma oportunidade para que a sociedade conheça o projeto de desenvolvimento da Nação defendido por cada candidato. “Valorizar projetos que tragam a C,T&I como eixo estratégico para o desenvolvimento é muito importante. Temos uma chance de entender o que será prioridade”, avaliou.

Durante sua apresentação, o secretário-executivo da ICTP.Br alertou ainda que é preciso difundir entre o meio acadêmico e científico os impactos das propostas discutidas no Congresso Nacional. É o caso, por exemplo, da MP 1.112/2022, que cria o Programa de Aumento da Produtividade da Frota Rodoviária no País. Apelidada de MP da Sucata, ela visa retirar de circulação veículos de carga com mais de 30 anos de uso.

“A medida é até meritória. O problema é que o governo quer financiar o programa com recursos que as empresas concessionárias que exploram poços de óleo e gás destinam a projetos de P,D&I”, alertou Guedes, ao defender uma mobilização do setor pela mudança do texto. “Há instituições de ciência e tecnologia que desenvolvem projetos com esses recursos e que não estavam sabendo do impacto que essa MP trará se for aprovada da maneira como está redigida”.

Entre 2019 e 2021, mais de 2,6 mil projetos foram contemplados com os recursos oriundos dos contratos entre a Agência Nacional do Petróleo e Gás e as empresas concessionárias. “Os recursos contemplaram 95 instituições de ciência e tecnologia de todo o país que desenvolvem projetos densos que podem levar o Brasil à fronteira do conhecimento não apenas no setor de petróleo e gás, mas também em áreas como energia renovável”, explicou Guedes.

Investimento e governança

A crise do setor de ciência e tecnologia também foi alvo de análise dos painelistas. O reitor da UFJF atribui os baixos investimentos em C,T&I à falta de uma política de desenvolvimento nacional. O atual modelo brasileiro, segundo ele, está focado na redução dos custos da mão de obra e na superação dos custos ambientais. “Esse modelo não é mais aplicado nas nações que estão na fronteira do conhecimento. A alternativa é construir uma política focada na base industrial responsável ambientalmente e que fortaleça a mão de obra”, avaliou. “O novo parlamento e o próximo presidente da República precisam mergulhar nesse projeto de Nação. Se tivermos clareza nesse caminho a ser trilhado, as estratégias de C&T começam a fazer mais sentido”.

Marcus Vinicius apontou ainda a necessidade de mudanças nos mecanismos investimentos e na política de governança do setor. Ele defendeu que a Emenda Constitucional 95, que estabeleceu o teto de gastos, seja revista. “Isso trouxe um estrago para todas as estruturas de Estado. As despesas obrigatórias, como é o caso do pagamento de pessoal, seguem aumentando. Isso tira o poder de investimento das instituições. Somado aos cortes e contingenciamentos, estamos vivendo a mais grave crise no financiamento da educação básica, da educação superior e da ciência e tecnologia, comprometendo o desenvolvimento da Nação”, lamentou.

O reitor avalia que deputados e senadores terão um grande desafio para dar fim à burocracia e garantir segurança jurídica na parceria entre a academia e o setor produtivo. “O Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia e a Política de Ciência e Tecnologia deverão ser novamente analisados. E neste momento será crucial construir um modelo onde todos os atores tenham um papel estratégico e equilibrado”.

Cortes e resistência no parlamento

Em vídeo gravado para o painel, a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) destacou que senadores e deputados têm sido fortes aliados do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia. A parlamentar avaliou que o Brasil abriu mão do desenvolvimento e da soberania nacional ao menosprezar a ciência e aceitar o papel de exportador de commodities e importador de produtos de alto valor agregado.

“Temos uma biodiversidade que nos permite pensar em liderar o mercado de fármacos e um potencial enorme na geração de energia limpa, mas tudo que foi construído está sendo desmontado por um governo que não consegue conviver com a liberdade de pensar”, disse.

Em 12 de julho, lembrou Jandira, o Congresso Nacional deu uma demonstração de respeito e compromisso com a ciência brasileira. Por apenas 10 votos de diferença, 197 a 187, os parlamentares não aceitaram o texto original do PLN 17/2022, que extraía do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) R$ 2,5 bilhões para remanejá-los para outras áreas. A proposta do governo federal contrariava a Lei Complementar 177, que proíbe contingenciamento do principal fundo de apoio a projetos de pesquisa e desenvolvimento do País.

Para o secretário-executivo da ICTP.Br, a rejeição ao trecho do PLN 17 foi uma vitória importante para a comunidade científica, diante de tantas adversidades. “Estamos sendo sufocados em várias frentes. Há cortes nos repasses para as universidades, redução dos orçamentos dos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovações e ataques frontais aos mecanismos de financiamento da pesquisa”, afirmou Fabio Guedes.